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Escrito por Luiz Gonzaga dos Santos Filho   
Ter, 10 de Março de 2009 17:11
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O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas começa a investigar agora o perfil do consumidor de crack, dez anos depois de sua chegada ao Brasil. Já se sabe que, apesar do caráter desagregador da droga, há usuários que escaparam da morte precoce e encontraram estratégias para fumar as pedras e continuar vivendo, em geral por meio de associações com outros entorpecentes. Naturalmente há situações de alto risco em estratos mais altos da sociedade. 

O pesquisador Murilo Baptista, do Cebrid, prepara-se para revisitar os universitários usuários de ecstasy que entrevistou no ano 2000 para sua tese de mestrado. Naquela época, os comprimidos do estimulante estavam restritos a ambientes de festas. 

A confiança nos dados sobre o consumo de drogas depende da regularidade com que as investigações são feitas. É comum que, em intervalos curtos de tempo, pesquisas dêem resultados distintos, daí a necessidade de se tomar como verdadeiras tendências históricas, não dados isolados. Por razões metodológicas, há diferenças nos resultados das pesquisas que o Cebrid faz com os estudantes e o levantamento em domicílios realizado em 107 cidades. 

Os estudantes preencheram um questionário sigiloso. Já no levantamento domiciliar, os pesquisadores batiam à porta das pessoas e lhes faziam perguntas. É possível que parte delas tenha se sentido constrangida em responder. 

Outra causa das oscilações é odinamismo do mercado dos entorpecentes. A procura, dizem os especialistas, é influenciada pelas notícias sobre grandes apreensões e pelo surgimento de drogas da moda. É preciso estar atento às novidades. 

Um exemplo é a triexifenidila, vendida com o nome de Artane, indicada no tratamento do mal de Parkinson. Tempos atrás, em entrevistas com usuários de maconha e álcool, surgiram referências a esses comprimidos. Os pesquisadores do Cebrid resolveram investigar. 

Foram ouvidos 37 usuários e ex-usuários que utilizaram a droga pelo menos dez vezes na vida. Observou-se que a substância era usada em associação com outras. A triexifenidila provoca alucinações ora agradáveis, ora aterrorizantes. É barata e relativamente fácil de obter. Cerca de 1% dos brasileiros já a experimentou. 


Autor: Pesquisa FAPESP 
Fonte: OBID 
Última atualização em Ter, 10 de Março de 2009 17:20
 

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