| O pai e o drinque |
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| Escrito por Luiz Gonzaga dos Santos Filho | |||
| Ter, 10 de Março de 2009 17:15 | |||
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Também é comum que conflitos familiares tenham vínculo com o uso de entorpecentes pelos pais. Com apoio da FAPESP, a equipe do Cebrid analisou o perfil dos envolvidos em casos de violência doméstica em 27 cidades paulistas. Constatou-se que metade deles está associado ao uso de álcool. Em 52% das situações, o agressor estava sob efeito de bebida. As principais vítimas da violência são as mulheres, em geral casadas com os agressores. Não houve variação entre classes sociais. Acontece na periferia e nos bairros nobres. "O papel da família não se limita a oferecer informações", diz Galduróz. "A prevenção começa com os exemplos que os pais dão. A pior coisa que um pai fumante pode fazer é explicar ao filho que fuma porque é bobo.A criança não pode espelhar-se num bobo", afirma. Segundo Galduróz, não existe uma receita, mas muita coisa pode ser feita. "Uma estratégia é acostumar a criança a um estilo de vida saudável, que valorize atividades ao ar livre. Se ela der importância a respirar ar puro, será mais fácil afastá-la do apelo do cigarro", diz. "Um pai que chega em casa e sempre toma um drinque está dando um exemplo que poderá ter efeitos no comportamento do filho." Também não adianta negar o prazer das drogas. "Mensagens que só tratam dos malefícios perdem credibilidade com os adolescentes", afirma. Para os pesquisadores do Cebrid, é utópico imaginar um mundo livre dos entorpecentes. "O homem recorre a eles desde sempre, para alterar seu estado psíquico e aliviar tensões", diz o diretor e fundador do Cebrid, o médico Elisaldo Carlini, professor aposentado da Unifesp. "Não há solução radical. Mas não se pode permitir que o problema transborde e se torne patológico." Com base nisso, Carlini e sua equipe defendem, entre outras estratégias, as chamadas políticas de redução de danos, como a polêmica oferta de seringas a dependentes de drogas injetáveis para evitar o contágio da Aids. Se os dados gerais desautorizam o pânico, os estudos do Cebrid mostram que em alguns estratos da população a situação é, sim, preocupante. Pesquisa sobre uso de entorpecentes entre crianças e adolescentes de rua, realizada nas 27 capitais brasileiras, mostrou dados aterradores: 12,6% haviam tentado suicídio. Outro grupo de altíssimo risco são os usuários de crack. Incinerado num cachimbo, o derivado de cocaína em forma de pedra produz vapores que são absorvidos pelos pulmões e alcançam rapidamente o cérebro. Um estudo do Cebrid entrevistou mulheres das cidades de São Paulo e São José do Rio Preto que vendem o corpo para comprar a droga. O preço que cobram varia segundo a necessidade de usar o crack - em crises de abstinência, um programa pode sair por R$ 10,00. Algumas delas aceitam fazer sexo com os traficantes em troca da droga em espécie. O uso de preservativos é irregular, o que as expõe à gravidez indesejada e à Aids.
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