| O corpo |
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| Seg, 22 de Novembro de 2010 11:46 | |||
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Afinal, o que é o corpo? Colocando em termos práticos (“grosso modo”), o corpo seria “isso de nós” que é palpável. É o conjunto formado por boca, olhos, orelhas, braços, pernas, pulmão, rins, sexo etc. É o que chamamos de “físico”, de “material”, existente em nós. É fato que as maneiras como o ser humano lida, percebe e sente o corpo são tão diversas quanto as maneiras com que ele lida, percebe e sente tudo na vida. E sendo cada ser humano uma singularidade no universo, não haveria como ser diferente. As maneiras de lidar,sentir e perceber o corpo variam conforme a idade, o sexo, a cultura, o clima, a religião, a localização geográfica etc. Enfim são inúmeros os fatores e cada um é mais interessante do que o outro para ser estudado e compreendido. No presente estudo nos limitaremos à reflexão acerca de como a doutrina espírita trabalhou e trabalha o corpo humano, e como os espíritas lidam com essas orientações. Em razão de algumas expressões comumente utilizadas pelas obras espíritas (como “invólucro carnal”, “armadura”, “vestimenta temporária”, e a própria “corpo físico versus corpo espiritual”), uma primeira leitura pode gerar no leitor a sensação de que o espiritismo trabalha a dimensão física do homem de uma maneira cartesiana, isto é, de dualidade, de separação entre corpo e subjetividade. Seria realmente essa a posição da doutrina espírita? O homem seria um espírito com um corpo ou um corpo com um espírito? Será que é correto limitarmos o corpo a um “mero instrumento” do espírito? Na verdade, tudo se resume a uma questão de interpretação acerca das lições existentes nas obras espíritas que tratam do assunto. E, no fundo, o que difere católicos, espíritas, evangélicos etc, não são apenas as interpretações feitas sobre os ensinamentos deixados por Jesus? A interpretação que se dá a um texto pode ser algo muito poderoso, pois ela é capaz de criar crenças e determinar condutas. Por compartilharmos da idéia de que definições, mesmo quando elásticas, podem reduzir e enclausurar o pensamento em palavras, e para não incorrermos no risco de pretensão de possuidores da verdade, não finalizaremos essa reflexão com respostas quanto às questões que levantamos. A intenção é justamente “deixar as perguntas no ar”, para instigar a dúvida, o questionamento, a busca de direcionamentos racionais. Antes de finalizar nosso texto, gostaríamos apenas de deixar um alerta: “A compreensão de algo deve ser entendida pelos vários aspectos em que se apresenta. Todas as visões são verdadeiras, sob a condição de que não a isolemos, de que caminhemos até o fundo da história e encontremos o núcleo único de significação existencial que se explicita em cada perspectiva (Merleau-Ponty, in Fenomenologia da Percepção. 1994, p.17)”.
*Texto referente ao estudo realizado no dia 23/10/2010, redigido pelas integrantes do Grupo Arte Nascente Anna Rita Ferreira Araújo, Lívia Araújo Fraga, Marcella Maris e Natália Assis.
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| Última atualização em Qua, 24 de Novembro de 2010 10:44 |

