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Principal Estudos semanais O Corpo - Parte 2
O Corpo - Parte 2 PDF Imprimir E-mail
Sex, 28 de Janeiro de 2011 15:20
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Segue abaixo dois textos que falam sobre o corpo. O primeiro é uma seleção de trechos de obras espíritas que abordam o corpo físico; o segundo, uma passagem de um livro de uma psicóloga famosa, em que ela fala sobre o corpo com uma expressão de amor muito grande.  A intenção é traçar um paralelo entre eles. Boa reflexão!

CORPO FÍSICO PELAS OBRAS ESPÍRITAS
O LIVRO DOS ESPÍRITOS (Allan Kardec):

25. O espírito é independente da matéria, ou não é mais do que uma propriedade desta, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?
- São distintos, mas é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência a esta.

25. a) Esta união é igualmente necessária para a manifestação do espírito. (Por espírito entendemos aqui o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas por esse nome.)
- É necessária para vós, porque não estais organizados para perceber o espírito sem a matéria; vossos sentidos não foram feitos para isso.

367. Ao unir-se ao corpo, o Espírito se identifica com a matéria?
- A matéria é apenas o envoltório do Espírito, como a roupa é o envoltório do corpo. Ao unir-se ao corpo, o Espírito conserva os atributos da natureza espiritual.

368.a – De acordo com isso, o envoltório material seria um obstáculo à livre manifestação das faculdades do Espírito, como um vidro opaco se opõe à livre emissão da luz?
-- Sim, e muito opaco.

Nota:
Pode-se também comparar a ação que a matéria grosseira do corpo exerce sobre o Espírito à de um charco lodoso, que tira a liberdade dos movimentos do corpo nele mergulhado.

OS MENSAGEIROS (Francisco Cândido Xavier – André Luiz):
O corpo humano não deixa de ser a mais importante moradia para nós outros, quando compelidos à permanência na Crosta. Não podemos esquecer que o próprio Divino Mestre classificava-o como templo do Senhor.

MISSIONÁRIOS DA LUZ   (Francisco Cândido Xavier –- André Luiz -  1943):
O veículo carnal agora não é mais que um turbilhão eletrônico, regido pela consciência.

NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE (Emmanuel):
Defende o teu corpo, como quem preserva um recipiente sagrado para o serviço do Senhor

LIBERTAÇÃO (Francisco Cândido Xavier – André Luiz):
Os fluidos da carne tecem um véu pesado demais para ser facilmente rompido pelos que se não afeiçoam, ainda, diariamente, ao contacto da espiritualidade superior.

PÃO NOSSO (Francisco Cândido Xavier – ditado pelo espírito Emmanuel):
A carne é uma vestimenta temporária, organizada segundo a vibração espiritual, e essa mesma vibração esclarece todos os enigmas da matéria.
O CORPO PELA VISÃO DE CLARISSA PINKOLA ESTES (Estes, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem – Rio de Janeiro: Rocco, 1994)

(...) O corpo é um registro vivo de vida transmitida, de vida levada, de esperança de vida e de cura. Seu valor está na sua capacidade expressiva para registrar reações imediatas, para ter sentimentos profundos, para pressentir.
O corpo é um ser multilíngüe. Ele fala através da cor e da temperatura, do rubor do reconhecimento, do brilho do amor, das cinzas da dor, do calor da excitação, da frieza da falta de convicção. Ele fala através do seu bailado ínfimo e constante, às vezes oscilante, às vezes agitado, às vezes trêmulo. Ele fala com o salto do coração, a queda do ânimo, o vazio no centro e com a esperança que cresce.
O corpo se lembra, os ossos se lembram, as articulações se lembram. Até mesmo o dedo mínimo se lembra. A memória se aloja em imagens e sensações na próprias células. Como uma esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar dali uma recordação.
Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo. (...)
Há quem diga que a alma anima o corpo. No entanto, e se resolvêssemos imaginar por um instante que é o corpo que anima a alma, que ajuda a se adaptar à vida concreta, que analisa e traduz, que fornece o papel em branco, a tinta e a pena com os quais a alma pode escrever nas nossas vidas? Suponhamos, como nos contos de fadas em que as coisas mudam de forma, que o corpo é um deus por siso, um mestre, um mentor, um guia autorizado. E daí? Seria prudente passar a vida inteira torturando esse mestre que tem tanto a dar e a ensinar? (...)
Está errada a imagem vigente em nossa cultura do corpo exclusivamente como escultura. O corpo não é de mármore. Não é essa a sua finalidade. A sua finalidade é a de proteger, conter, apoiar e atiçar o espírito e alma em seu interior, a de ser um repositório para as recordações, a de nos encher de sensações – ou seja, o supremo alimento da psique. É a de nos elevar e de nos impulsionar, de nos impregnar de sensações para provar que existimos, que estamos aqui, para nos dar uma ligação com a terra, para nos dar volume, peso. É errado pensar no corpo como um lugar que abandonamos para alçar voo ate o espírito. O corpo é o detonador dessas experi6encias. Sem o corpo não haveria a sensação de entrada em algo novo, de elevação, altura, leveza. Tudo isso provém do corpo. Ele é o lançador de foguetes. Na sua cápsula, a alma espia lá fora a misteriosa noite estrelada e se deslumbra.

 

*Textos utilizados no estudo realizado pelo Grupo Arte Nascente no dia 23/10/2010.



 

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