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Principal Estudos semanais Pais e filhos – Parte 2
Pais e filhos – Parte 2 PDF Imprimir E-mail
Seg, 06 de Junho de 2011 11:14
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*Texto referente ao estudo realizado no dia 26/11/2010 produzido pela associada do Grupo Arte Nascente NOÊMIA DAS GRAÇAS LOPES

altAté bem pouco tempo atrás a mulher era ensinada a apenas cuidar do marido, dos filhos e do lar, enquanto o homem era ensinado a ser o provedor, o chefe da família. Ele não mantinha laços de ternura com a mulher e os filhos, e colaborar com os afazeres domésticos representava fraqueza. Educava-se pela força e os papéis eram bem definidos (e hierarquizados) para o casal e para os filhos. Às crianças não era permitido que se manifestassem sobre qualquer assunto.

Naquela estrutura a feição familiar era institucional e não havia uma preocupação com o indivíduo, com a pessoa que compunha o núcleo familiar. A preocupação era com a família em si.

Com a revirada cultural que aconteceu nas últimas duas décadas a mulher passou a contribuir, cada vez mais e mais diretamente, com a economia familiar, o que mudou a cultura de projetos de vida para o mundo feminino. Atualmente ela desempenha inúmeras funções (trabalha – em jornada dupla –, educa os filhos, administra o lar, é companheira do marido e cuida de si mesma – saúde, estética, lazer), enquanto os homens têm percebido, cada vez mais, a necessidade de contribuírem mais intensamente (e afetivamente) com a educação dos filhos e o desempenho de funções domésticas. Hoje, muitos deles já cozinham, trocam fraudas, vão ao supermercado e dividem todas as responsabilidades da casa e dos filhos com a esposa.

Assim, a família passou a ser um meio para o indivíduo, e não um fim. Passou a ser entendida como um instrumento de desenvolvimento humano e social da pessoa, devendo esta (a pessoa) estar sempre em primeiro plano. Diz-se atualmente que a família está submetida a quatro paradigmas: afeto, ética, dignidade de seus membros e solidariedade recíproca.

Em razão de todo esse desenvolvimento histórico os “papéis” dos membros familiares estão um pouco confusos.  Não existe mais aquela cisão estanque de comportamento entre o homem e mulher, os dois desempenham vários papéis e, no meio, estão os filhos (“protegidos” por inúmeras teorias psicológicas, pedagógicas e leis anti-tapas!).

Hodiernamente, podemos perceber uma maior preocupação dos pais com os sentimentos e pensamentos dos filhos. Prioriza-se o entender e o explicar, conversar. Contudo vemos muitos pais exageradamente “psicólogos”, ou seja, que tentam sempre buscar uma razão de fundo para todas as atitudes dos filhos. No entanto, muitas vezes o “NÃO” deve ser “porque EU DISSE”.

Os filhos precisam de limites, eles pedem por limites. O amor não pode ser permissivo e culpado. Ele deve ser incondicional, mas com responsabilidade. Afinal, é uma vida que foi confiada aos pais por Deus.

Manter a família e um bom relacionamento entre pais e filhos não é fácil.  Hoje tudo pede pressa, estamos sempre cansados, pais, mães e filhos. Mas tudo vale a pena quando olhamos o rosto de nossos filhos sem questionamentos e o amor irradiante de um sorriso inocente nos diz: “eu te amo” . Nesse momento esquecemos das dificuldades e experimentamos o verdadeiro amor incondicional do qual nos falava Jesus. A oportunidade de amar esse “serzinho”, pelo qual enfrentamos quaisquer provações é no mínimo fantástica. São esses momentos que nos fazem refletir sobre o amor de Deus por todos os seus filhos.

 

A infância
(Referência: Revista História Viva, Ano VII, n. 85)

Nem sempre  a infância foi considerada como a concebemos nos dias de hoje. Na verdade, foi necessário todo um processo de evolução histórica e cultural para que a humanidade pudesse compreender quais as limitações e as necessidades de um ser humano nessa primeira fase de vida, para crescer de maneira saudável e se tornar um adulto feliz e bem integrado à sociedade.

É possível traçar um breve histórico da infância:

1) Adultos em miniatura. Podemos afirmar que no século XVIII ainda não havia infância, pois as crianças eram consideradas “adultos em miniatura”. A população vivia, em sua maioria, no campo, e o número de filhos em cada família era grande. Não se dispensava maiores cuidados ou apego às crianças que, na realidade, eram consideradas mão de obra dos pais, contribuindo desde muito pequenas para o sustento familiar. Essa época foi marcada por uma alta taxa de mortalidade infantil.

2) O nascimento da infância. O nascimento da infância começou somente no século XIX. Em virtude do avanço industrial ocorrido, as crianças foram liberadas de parte do trabalho doméstico. A situação das crianças passou a ser discutida e infância começou então a ser considerada, tendo a cidade de Paris sido considerada a pioneira nas discussões sobre o tema.

3) O reino dos bastardos. Aqui no Brasil, como no resto do mundo, também foi no século XIX que se começou a pensar na existência da infância. Fato marcante em nosso país foi a existência das chamadas “Casas de Roda”,  geralmente integradas por ordens religiosas, cujas construções possuía um átrio com um local próprio da parede, feito de madeira e com forma rotativa, onde a criança era depositada. Fazendo rodar o mecanismo um sino era tocado para alertar o responsável do local que uma criança tinha ali sido colocada. As casas de Roda eram destinadas a crianças que mães solteiras abandonavam por não poderem alimentar, vestir ou porque eram resultadas de gravidezes indesejadas. O nascido da mistura de raças era considerado bastardo e por isso rejeitado e também destinados à “roda”. Essas casas foram introduzidas em território nacional durante o período colonial e extintas  somente no século XX. Demonstram a maneira como a sociedade e o governo tratavam a infância naquela época.

4) Consumidores. A infância ganha importância mesmo somente no século XX, com novas teorias psicológicas e estudos biológicos e antropológicos sobre a questão. Com o desenvolvimento da cultura e de novos hábitos, o setor comercial logo percebeu o nicho de consumidores que os pequeninos se tornaram e passaram a produzir todos os tipos de produtos voltados a este público.

5) Ápice. No Brasil, o auge da proteção da infância e da juventude vem com o advento do ECA em 1996 (Estatuto da Criança e do Adolescente). No ano de 2010 o repúdio a qualquer tipo de punição física ao menor (Lei anti-tapa).


* Noêmia é mãe de duas crianças e é estagiária da banda do Grupo Arte Nascente desde 2009.

 

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