| Você já refletiu sobre o sentido das palavras? |
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| Escrito por Luiz Gonzaga dos Santos Filho |
| Qui, 26 de Março de 2009 08:01 |
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O GAN, nestes mais de 20 anos de história, vem recorrendo à palavra como principal forma de veiculação de suas mensagens. Seja nas peças de teatro, nas esquetes, nos musicais, palestras ou canções, a palavra se destaca como o principal veículo, seguido das demais linguagens, também importantes, como a corporal e a plástica. Pois é, então eu pergunto a você: quantas vezes você se pegou refletindo sobre as palavras que o grupo lhe apresentou? Quantas vezes, realmente, destinou um tempo a mais, pensando no alcance e consequência de algumas palavras, frases, letras? Normalmente, encaramos um texto e suas palavras como algo dado, pronto, com um sentido definido, gravado ali, no papel, no disco ou na tela do computador, restando a nós a tarefa de decodificá-lo. E ficamos assim, quando muito, na superfície. Mas não é assim. Duas palavras juntas, quaisquer que sejam, são uma terceira e nova entidade, não a soma, mas a transmutação. Assim como o agridoce não é simplesmente a soma das experiências do doce e do amargo, duas palavras juntas lhe abrem portas novas, com acesso talvez inédito a lugares importantes do seu ser. Portanto, um texto não pode ser uma mera decodificação. É preciso participar, se debruçar sobre ele, ser agente dos sentidos ali potenciais, reescrever junto, na interpretação. Tenho certeza que, mesmo sem perceber, você já experimentou a sensação desta transmutação ao ouvir um verso de poema, música ou uma frase de teatro ou palestra. São aqueles momentos em que uma torrente de sensações e emoções afloram em você e o fazem ir às lágrimas, sem que você queira ou possa se conter. É o momento em que você participa e reescreve sentidos. Comigo, por exemplo, acontece ao ouvir a bela letra de "Flutuar", do GAN, no verso "Sei que você nunca negou, que eu só vou te encontrar aqui, dentro de mim". Ou na canção "Paciência", de Lenine, quando ouço "A vida é tão rara". Também na canção "Tudo é Amor", no verso "E morremos pra renascer". Mas, claro, isso não se dá apenas com palavras. Também ocorre diante de um quadro, de um movimento, de uma melodia. São experiências místicas, num certo sentido. Seria bom tê-las mais vezes, não? Para isso, porém, voltamos a questão inicial: é preciso dedicar um tempo especial para uma reflexão mais profunda. É preciso escutar e não apenas ouvir. É preciso enxergar, não apenas ver. O melhor é que, ao contrário do que se acredita, você não estará descobrindo o sentido destes "textos", mas, sim, descortinando teu próprio ser e conhecendo a si mesmo. O GAN, através de seus trabalhos, tem criado muitas oportunidades para que você possa elevar teu espírito e experimentar novos e belos sentimentos e sensações. Mas sem a sua participação, as pobres palavras, sons ou imagens, serão apenas coisas mortas, vazias. Os sentidos só existem em você. Tudo que podemos fazer é lhe fornecer pequenas "iscas", para que, a partir de sua disposição íntima, belos e renovados sentimentos possam emergir. Pablo Faria |
| Última atualização em Qua, 29 de Julho de 2009 10:02 |

